´Este trabalho é a força essencial em minha vida´

 ´Este trabalho é a força essencial em minha vida´

A Aaacase comemora cinco anos de existência, contando com várias realizações, dentre elas a inauguração da nova sede. Neide dos Santos Fortes, uma das fundadoras da instituição e atual presidenta, conversou com a equipe do Inclusão Social. Nessa entrevista, a voluntária – como ela mesma prefere ser denominada -, fala das realizações e projetos futuros da Aaacase.

INCLUSÃO SOCIAL – Durante esses cinco anos da Aaacase, quais foram as mudanças?

NEIDE FORTES – A cada ano a gente tenta melhorar. Nesse ano de 2006 já fizemos uma grande mudança, que foi mudar em maio para esse prédio maior. Foi uma mudança audaciosa, graças a Deus.

IS – Como foi que vocês conseguiram adquirir essa casa?

NF – Bem, essa casa é alugada e foi tudo à base do voluntariado.

IS – Vocês agora estão conseguindo abrigar um número maior de beneficiados?

NF – Sim, o intuito da mudança foi de abrigar mais pacientes.

IS – Qual foi o acréscimo de atendimento?

NF – Antigamente abrigávamos confortavelmente uns 12 pacientes, passando disso já ficava ruim de a gente hospedar. Agora temos condições de hospedar 20 pacientes, além dos acompanhantes.

IS – Fale sobre essa passeata que vocês realizam todo mês de novembro.

NF – Essa passeata no mês de novembro é uma iniciativa da Associação dos Amigos da Oncologia (Amo), que faz um trabalho semelhante ao nosso e há cinco anos vamos às ruas. A idéia é falar sobre o câncer, as maneiras de prevenção e é também uma forma de divulgar nosso trabalho. É muito importante essa passeata pra gente.

IS – Qual é o percurso dessa passeata?

NF – Ano passado foi da Praça da Bandeira até a Rua Itabaianinha, logo depois dos Correios. Nos outros anos ela foi na praia. Sempre mudamos o percurso.

IS – Quem participa dessa passeata?

NF – A Amo, o Gacc, a Secretaria de Saúde, o Centro de Oncologia do Hospital João Alves, Centro Pró-Mulher e várias instituições unidas.

IS – E esse ano, alguma novidade nessa passeata?

NF – Ainda não temos a programação, porque como é uma iniciativa da Amo, eles preparam e depois entram em contato com a gente.

IS – Os beneficiados daqui fazem algum curso ou produzem objetos artesanais, por exemplo?

NF – Por enquanto não. Tivemos que parar um pouco esses trabalho por falta de voluntários. Temos uma oficina de corte e costura para terceiros e não para o pessoal daqui, que funciona no prédio em frente com a parceria do Senac. Estamos buscando apoio para desenvolver esse projeto.

IS – Como é a vida dessas pessoas que estão hospedadas aqui?

NF – Elas vão pro hospital, fazem o tratamento e depois retornam para a casa de apoio. Os acompanhantes – a maioria vem com acompanhante -, ajudam nos deveres daqui da instituição. Na limpeza, na cozinha e nos cuidados dos pacientes.

IS – Vocês promovem festas aqui?

NF – Sim, fazemos festas de aniversário, datas comemorativas… Fazemos também festas para arrecadar dinheiro, como a feijoada que teve recentemente e que foi um sucesso.

IS – Vocês têm divulgado a instituição? A imprensa sempre apóia o trabalho?

NF – Estamos tentando divulgar a instituição e não temos problema com a imprensa não, eles têm sido muito solicitos.

IS – Algum projeto futuro?

NF – Temos projetos futuros sim, como o lançamento agora dia 10 com materiais usados. Estamos tentando arrecadar coisas que as pessoas não usam mais em casa, mas que podem ter serventia para outros. Estamos fazendo essa campanha de arrecadação e com esse material vamos montar um bazar e tentar arrecadar algum dinheiro. Assim poderemos, quem sabe, reformar esse prédio, pagar algumas contas do aluguel da casa…

IS – Quais são as maiores necessidades de vocês?

NF – Tudo para nós é uma dificuldade, porque quem trabalha nesse sistema de trabalho voluntário sempre acaba dependendo muito dos voluntários. Temos alguns contribuintes que pagam certinho, mas a maioria começa pagando certo só nos dois ou três primeiros meses e aí desaparecem e vão cuidar da vida deles. Aí nunca temos uma renda certinha, sempre estamos quebrando a cabeça.

IS – E para você, qual é a importância de trabalhar na Aaacase e ajudar essas pessoas?

NF – Para mim é muito importante e este trabalho é a força essencial em minha vida.

A beneficiada Ivânia Leonardo Carvalho, 31, mora no município sergipano de Simão Dias e está hospedada na Aaacase para dar continuidade ao seu tratamento contra o câncer, no Hospital João Alves Filho. Ela nos conta a importância da instituição em sua vida e a forma como é tratada lá dentro.

 IS – Para você, o que é o Aaacase?

IVÂNIA LEONARDO DE CARVALHO – A Aaacase foi muito importante para mim, porque eu sou do interior e não tinha como fazer o tratamento aqui. Fui muito bem recebida e eu estou gostando bastante.

IS – E não lhe falta nada aqui?

IC – Graças a Deus nada.

IS – Há quanto tempo você está hospedada aqui?

IC – Vai fazer quatro semanas amanhã.

Por Heloisa Rocha
Da Redação (Aracaju/SE)

AAACASE
Associação de Apoio ao Adulto com Câncer no Estado de Sergipe
Endereço: Rua Vereador João Claro, 262, Siqueira Campos.
Contatos: (79) 3241-1171

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