´O maior anseio do ser humano quando está preso é a liberdade´

 ´O maior anseio do ser humano quando está preso é a liberdade´

Estar em cárcere privado e retornar à sociedade não é tarefa fácil. O sistema penitenciário brasileiro é visto como ineficaz no que se refere à recuperação do cidadão na maior parte do país. É através de um trabalho religioso com os detentos e reinserção destes à sociedade que a Pastoral Carcerária em Sergipe, mantida pela Igreja Católica, desenvolve suas ações. Dirigida por Carlos Antônio de Magalhães, mais conhecido como ‘Magal da Pastoral´, a instituição realiza entre os dias 25 e 27 deste mês de abril o Encontro Nordeste da Pastoral. Confira abaixo a entrevista exclusiva ao Portal Inclusão Social sobre o assunto com o diretor da entidade.

Por Elaine Mesoli
(Estudante de Jornalismo pela UFS)

Inclusão Social – Como podemos definir a Pastoral Carcerária?

Magal da Pastoral – A Pastoral Carcerária é o serviço da Igreja Católica que leva o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas privadas de liberdade e zela para que os direitos humanos e a dignidade humana sejam garantidos no sistema prisional. Mais de três mil voluntários católicos, em todo o Brasil, participam hoje das ações.

IS – Quando surgiu a instituição?

MP – Não posso precisar o surgimento em âmbito nacional, mas lembro de ter lido livros a respeito da atuação da Pastoral Carcerária desde a década de 70. Ela sempre existiu sob outras formas ao longo da história da igreja para evangelizar os presos. Em Sergipe, surgimos como instituição após a visita do padre Afonso Pastori em agosto de 1987, quando veio nos dar orientações sobre encontro de casal com Cristo e acabou nos ensinando o trabalho desenvolvido atualmente. Ele era orientador da Pastoral em Belo Horizonte, Minas Gerais.

 IS – De que forma a Pastoral contribui para a melhoria de vida dos detentos?

MP – Primeiramente a Pastoral Carcerária procura ser a presença de Cristo no cárcere. O que Cristo faria? O que pensamos que ele faria é o que devemos fazer, juntando-nos aos funcionários e às autoridades para melhorar o sistema e a condição dos presos. Trabalhamos também com as famílias e com egressos do sistema prisional, na reinserção ao mercado de trabalho e na ajuda econômica às famílias dentro de nossas possibilidades, através de uma reunião semanal que realizamos.

IS – Que pedidos são feitos por quem está em cárcere privado?

MP – O maior anseio do ser humano quando está preso é a liberdade. Eles pedem que acompanhemos os processos melhorando a agilidade e dando assistência jurídica, pois alguns não possuem advogados e dependem de defensores públicos. Outros são explorados pelos advogados. Essa é a maior angústia e ansiedade deles. Se houvesse uma defesa mais firme, com certeza a pena poderia ser reduzida e eles receberiam os benefícios mais rapidamente. Existem reclamações também quanto aos maus tratos, à falta de trabalho, de boas instalações, alimentação, saúde e acesso às famílias. A falta de tudo isso não permite que o preso tenha condições de se ressocializar. Ainda temos um sistema prisional voltado para prender apenas, sem visar ressocialização.

IS – Como a Pastoral Carcerária é recebida nos presídios?

MP – Hoje somos bem recebidos. Um ou outro tenta retardar nosso trabalho, mas é uma minoria. Já houve época pior. Depende muito de quem esteja no comando. Há pessoas que entendem nosso trabalho, mas houve governos em que tínhamos uma dificuldade terrível para atuar. Há mais ou menos oito ou 10 anos ficávamos na porta rezando e pedindo para entrar.

 IS – De onde vêm os recursos da instituição?

MP – Uma parte dos voluntários e outra da arquidiocese. Também recebemos doações, realizamos bazares e rifas para arrecadar dinheiro.

IS – Como será o encontro da Pastoral em Sergipe?

MP – Será o encontro da macrorregião Nordeste, que é realizado a cada dois anos. Trocaremos experiências e destacaremos os problemas mais recorrentes que mereçam uma melhor avaliação da Pastoral Carcerária. Tentamos deixar uma mensagem positiva e criar mecanismos para conscientizar a sociedade para esse problema. O tema de abertura será ´Segurança Pública´, com uma palestra de Ricardo Balestreli, secretário Nacional de Segurança Pública. Debateremos, por exemplo, questões como a separação de jovens que cometeram o primeiro delito de outros já reincidentes. O encontro acontecerá em Aracaju, no Hotel Parque das Águas, entre os dias 25 e 27 deste mês de abril.

IS – Como fazer para se tornar voluntário ou realizar doações?

MP – Através dos telefones (79) 3042-9645 e 3231-6605, conversando com Rita.

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Publicado em Entrevistas

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