´Oficina da Palavra´ resgata mulheres em situação de prisão

Florescer_1“Quando você sair tomaremos um sorvete, que tal?”. E qual foi a resposta de Cris, interna do Presídio Feminino (Prefem), ao meu convite: “Que nada! Uma pessoa como você vai tomar sorvete com uma ex-presidiária?”. Existe algo que diferencie um ser humano de outro? Quem nunca errou nesta vida? Será que também não estamos presos ao mundo aqui fora? Há vozes em defesa de mulheres como Cris?

Esta semana, durante minha participação na ´Oficina da Palavra´, ministrada pelo poeta e escritor Araripe Coutinho a 20 internas do Prefem, surgiram vários questionamentos jornalísticos combinados a sentimentos como solidão, culpa, esperança e “vontade de voltar a ser o que realmente o ser humano é”. Elas conhecem seus direitos? Dada a mudança de comportamento, podem diminuir a pena, por exemplo? O que farão ao sair do presídio? Irão conseguir saborear um sorvete? Segregação. A dignidade humana precisa de nova morada…

Florescer_2´Oficina da Palavra´ existe há quase dois anos e a nova turma é composta por mulheres entre 20 e 42 anos. Araripe Coutinho é voluntário da iniciativa, que integra o Projeto Florescer, idealizado pela procuradora de Justiça e corregedora Geral do Ministério Público de Sergipe, Maria Cristina da Gama. ´Florescer´ visa fortalecer a cidadania das mulheres em situação de prisão, por meio do estímulo à informação e à inserção no mercado de trabalho.

“Elas se deixam fotografar, pois querem ser vistas aqui fora. Estão vivas e precisam ser lembradas com amor”, revela o oficineiro. A iniciativa já rendeu a publicação da obra ´Outras Vozes´, que ganhou destaque nacional e que concorre ao prêmio Inovare. “Cada um tem sua luta diária. Até na morte podemos renascer. É importante dar a volta por cima e reagir”, comenta Araripe Coutinho.

Florescer_3E o sorvete “aqui fora” espera por Cris… Em uma semana esta mulher em situação de prisão vai a júri popular. “Lá será mostrada a destruição. Eu vim do lixão e lá não nascem flores. Mas te digo que eu sou a flor do lixão e ao sair posso tomar um sorvete contigo. Voltarei a ser eu mesma”, desabafa Cris.

Waneska Cipriano
Da Redação Inclusão Social
Fotos: Arquivo Araripe Coutinho

 

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