CMA poderá ter intérprete de língua de sinais

CMA poderá ter intérprete de língua de sinais


Visando diminuir as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência auditiva na área da comunicação, o vereador Josenito Vitale, o Nitinho do Prona, estará apresentando na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) um projeto de indicação à Mesa Diretora solicitando a presença de um profissional intérprete para fazer a tradução simultânea do que acontece nas sessões para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).


Inicialmente a tradução seria aplicada no programa que a CMA tem na TV aberta, facilitando o acesso da pessoa com deficiência auditiva ao conteúdo das sessões. Para ele, a medida é importante porque só em Aracaju são mais de 8 mil pessoas que não ouvem. “Este será um grande passo que a Casa irá tomar tendo em vista que medidas como essas já são praticadas pelo Congresso Federal”, observou.


Mas o objetivo do vereador vai mais além. Nitinho também quer que outros órgãos municipais se preparem para fazer um atendimento centrado na inclusão das pessoas com deficiência. “Eles são cidadãos comuns, iguais a qualquer outro, portanto, uma mediada como esta só irá contribuir com a cidadania dessa população que vive na capital”, observou.


Ele também destacou que seria de fundamental importância que os vereadores passassem por um curso de LIBRAS, para evitar constrangimentos durante os contatos com essas pessoas. “Nós, como representantes do povo, deveríamos saber interpretar a linguagem de sinais utilizada na comunicação com os surdos”, ressaltou Nitinho, confiante na aprovação da matéria entre a presidência e os membros do Legislativo Municipal.


Cobrança – Nitinho disse que algumas pessoas com deficiência procuraram a CMA reivindicando professores (intérpretes) em sala de aula para dar as condições adequadas de se adquirir conhecimento. “Se não me engano, a única escola no Estado que oferece educação especializada é no colégio ‘11 de Agosto’, mesmo assim eles sentem muitas dificuldades porque não dispõem de professores que dominam a LIBRAS”, informou.


Inclusão – O vereador observou também que garantindo o acesso à língua de sinais, o cidadão com deficiência auditiva poderá participar das discussões que acontecem na sociedade, podendo até mesmo no futuro está ocupando espaços que hoje são exclusivamente de pessoa sem deficiência.


“Na verdade é desejo deste meu projeto promover a inclusão social e encurtar o acesso entre os vereadores e esta parte da população da capital. Com isso, eles poderão facilmente trocar idéia com cada um de nós que estamos no parlamento municipal”, observou Nitinho.


LIBRAS – A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é desde o ano 2002 a segunda língua oficial do Brasil e foi regulamentada ainda no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.


Com a lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, a LIBRAS foi reconhecida como o meio legal de comunicação e expressão e deve ser garantida por parte do poder público e empresas concessionárias de serviços públicos.


Na redação da lei consta que as unidades do sistema educacional federal, estadual, municipal e do Distrito Federal devem garantir a inclusão educacional nos curso de Educação Especial, Fonoaudiologia e Magistério. A única ressalva é que a LIBRAS não substituirá a língua portuguesa em sua forma escrita.


Mapa da surdez – Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000 indicam que no país existem 24 milhões de brasileiros com deficiência; desses, 5,7 milhões possuem deficiência auditiva.


Lei Municipal – Foi aprovado em primeira votação, na manhã desta quarta-feira, 28, um projeto lei de autoria da vereadora Tânia Soares (PCdoB), que autoriza o Poder Executivo a reconhecer oficialmente em Aracaju a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como instrumento e meio de comunicação da comunidade surda.


Por Anderson Barbosa
Fonte: Correio de Sergipe

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