Currículos escolares ainda não abrangem cultura afro

Currículos escolares ainda não abrangem cultura afro

A obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras nas escolas de ensino fundamental e médio é definida pelo Plano Nacional de Implantação da Lei 10.639/03, o qual foi elaborado pelo Ministério da Educação (Mec), no ano de 2005. De acordo com um dos artigos da Lei, o conteúdo lecionado nas escolas deve incluir o estudo da África e dos africanos, a história da luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade.

Ainda de acordo com o artigo, o conteúdo escolar deve ter o intuito de resgatar e sublinhar a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica, e política referentes à história do país. Para alguns, a inclusão da história e cultura afro-brasileira e africana nos currículos contribui significativamente para o aumento da auto-estima de crianças, jovens e adultos que carregam o estigma da violência com que seus antepassados foram tratados durante a construção da história recente do Brasil.

Segundo o diretor de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Oficial do Estado de Sergipe (Síntese), Roberto Silva, apesar dos três anos de vigência da Lei, poucos Estados brasileiros a colocam em prática. Ainda segundo o diretor, em Sergipe, a Lei não funciona.

Para a socióloga e técnica do Mec, Maria Lúcia de Santana Braga, as ações do Estado não têm sido suficientes para garantir a articulação de dois eixos que podem contribuir para o cumprimento da Lei: a capacitação de educadores e a elaboração de material didático-pedagógico. "O reconhecimento da contribuição da população negra na construção da cultura e da sociedade nacional é um problema de justiça, que somente será possível solucionar com a mudança do padrão de valores culturais.", destaca.

A socióloga destaca ainda que a escola deve ser o espaço no qual uma nova estrutura de sentimentos anti-racistas pode se desenvolver e contribuir não só para a emancipação da população negra, como também de toda a sociedade brasileira.

Fonte: Jornal da Cidade

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