Mostrando à sociedade a capacidade dos portadores de deficiência

Mostrando à sociedade a capacidade dos portadores de deficiência 

Clarice da Silva Cruz é fisioterapeuta e faz parte da Coordenadoria de Saúde da Apae. Ela está muito feliz em atender a pessoas portadoras de necessidades especiais. Uma outra trabalhadora da instituição é Lindinalva Maria da Silva, que atua na área de serviços gerais. Além de funcionária, ela é mãe do jovem Fagner da Silva Nunes, portador de uma necessidade especial, que segundo ela vem sendo muito bem atendido pela Apae.

Inclusão Social – Há quanto tempo você trabalha aqui?

Clarice Arruda – Eu trabalho aqui há dois anos. Antes de trabalhar na Apae, eu trabalhava em Maceió. Fui muito bem recebida aqui na Apae. É um ambiente muito gostoso de se trabalhar, onde a gente consegue colocar nossos projetos em prática, onde a gente tem a liberdade de criar, de inovar. A gente trabalha muito com a família também, além das famílias a gente trabalha com a equipe multidisciplinar: com fonoaudiólogo, assistente social, fisioterapeuta, psicólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional e professor. A equipe é integrada e sempre fazemos reuniões. A gente procura profissionais no caso clínico, recentemente contratamos uma neuropediatra. A Apae vive de doações, por isso nós precisamos da ajuda da sociedade para podermos colocar nossos projetos em prática. Estamos conseguindo mostrar nossas realizações aqui e, assim, conseguindo algumas parcerias muito importantes.

IS – As pessoas que aqui são atendidas estão conseguindo obter algumas melhoras?

CA – Com certeza que sim. Alguns aparelhos foram conseguidos recentemente, como a prancha prostática, tatame, bolas, rolos… Nossa marcenaria já está confeccionando mesas meia-lua, bancos de diversos tamanhos, tudo isso para podermos trabalhar com as crianças. E as crianças têm tido muitos resultados, justamente por trabalharmos de forma integrada com fonoaudiólogo, fisioterapeuta… Enquanto o fisioterapeuta trabalha, o fonoaudiólogo faz a intervenção dele. Com isso, estamos tendo muito progresso, justamente por sermos unidos e visamos o bem da criança.

IS – Os pais interferem ou não no tratamento?

CA – A família tem que dar continuidade ao nosso trabalho, pois não adianta a criança vir para cá e fazer o tratamento de meia hora, vir duas ou três vezes na semana e quando chegar em casa não ter um acompanhamento. Então, a família é parte fundamental do tratamento. A gente precisa e faz a orientação à família, mostrando soluções, tentando conhecer quais são as dificuldades dela em casa. Isso para que possamos ajudar e o paciente tenha uma qualidade de vida melhor e uma melhor evolução também no tratamento.

IS – Para você, o que é inclusão social?

CA – Inclusão social para mim é mostrar à sociedade a capacidade que os portadores de deficiência têm. Além de mostrar a capacidade, mostrar que podem estar incluídos e que são cidadãos com todos os direitos, exercerdo seus direitos. Infelizmente hoje em dia encontramos muitas barreiras ainda, mas acredito que eles estão engatinhando no processo da inclusão e a luta e trabalho nosso de mostrar é muito grande. Nosso desejo é que todos pacientes mostrem suas capacidades e desenvolvam-na. Aqui o grupo profissionalizante trabalha com currículo funcional, mostrando que cada paciente, que cada cidadão, cada pessoa, tem a possibilidade de desenvolver funções independentes das funções físicas, porque limitações todos nós temos, mesmo sendo "normais". Então nós temos que mostrar à sociedade que todos temos talentos e podemos superar nossas dificuldades.

 IS – Qual é a necessidade especial do seu filho?

Lindinalva Silva – Ele tem um pouco de retardamento e sofre de esquizofrenia. Ele tem também um pouquinho de dificuldade de coordenação motora.

IS – E como você descobriu a Apae?

LS – A Apae eu descobri vindo morar aqui em Sergipe. Aí eu tinha um parente que era assistente social daqui, com isso ela arrumou um emprego para mim também. Através disso eu consegui colocar meu filho.

IS – E você está gostando da Apae?

LS – Meu filho era uma pessoa muito isolada. Ele era uma pessoa que não parava quieto, vivia mexendo nas coisas. Depois da Apae meu filho melhorou 95%. Ele é quase uma pessoa "normal". Aqui ele aprendeu e continua aprendendo muito. A Apae para ele é tudo na vida.

IS – Você pretende continuar com seu filho na Apae até quando?

LS – Até quando Deus quiser! Aqui ele aprendeu a amarrar o cadarço, aprendeu a cuidar da sua higiene pessoal e aprendeu a se comunicar com as pessoas. Tudo que um ser humano precisa ele aprendeu aqui.

IS – Você acha que a Apae está precisando de alguma coisa?

LS – Precisa muito de ajuda, porque tudo aqui depende de doações. Precisamos sim, para ter um melhor desenvolvimento aos alunos, a cada dia.

Por Heloisa Rocha
Da Redação (Aracaju/SE)

 

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Para saber mais sobre a Apae confira a entrevista "O amor infinito é você fazer as coisas por quem você não conhece".

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