ONG Sahude capacita comunidade de São Cristóvão para construção de cisternas de baixo custo


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As dificuldades relacionadas à captação, uso e tratamento da água têm se tornado um problema nacional, despertando nos órgãos públicos e na sociedade civil a necessidade de criar alternativas para a resolução dos problemas hídricos nas comunidades rurais e áreas urbanas. Na comunidade pesqueira da Ilha Grande, no município de São Cristóvão, em Sergipe, alternativas acessíveis e de baixo custo são implementadas através do projeto “Frutos da Ilha”, contemplado pelo edital Petrobrás Integração Comunidades 2013 e executado pela ONG Sahude (Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico).

Uma delas é a cisterna de ferrocimento, com capacidade para armazenar 12 mil litros de água, e construída por moradores locais e outros interessados através do curso de Saneamento Ecológico realizado pela ONG Sahude. Até o final do projeto ‘Frutos da Ilha’ deverão ser construídas 10 cisternas.

“Nossa intenção não é garantir a doação de uma cisterna, mas capacitar a comunidade para que os próprios moradores sejam capazes de replicar a técnica em suas casas de maneira autônoma e garantir segurança hídrica para a manutenção das atividades que eles já protagonizam. Todas as tecnologias sociais previstas pelo projeto têm a autonomia como eixo norteador”, afirma Guilherme Belchior, coordenador do projeto ‘Frutos da Ilha’.

2De acordo com Madalena Paes, moradora da Ilha, os cursos de capacitação já levam frutos ao local. “Conhecimento é sempre bom, né? A Ilha sempre foi um lugar bom de se viver, mas agora a gente vem aprendendo a fazer muitas coisas úteis com os recursos daqui mesmo. E o melhor é que a gente vai vendo cada passo, aprende melhor”, afirma Madalena.

Frutos da Ilha

Em nove meses de projeto, já foram construídas 14 tecnologias sociais voltadas à gestão hídrica da comunidade da ilha, através dos cursos de capacitação: duas cisternas de ferrocimento, seis ecofossas ou bacias de evapotranspiração (BET), dois círculos de bananeiras e quatro banheiros secos, além das que estão previstas ao longo do projeto ‘Frutos da Ilha’.

Na etapa inicial de execução do projeto, já foram realizados cursos de Permacultura, Agroecologia e Segurança Alimentar e Segurança Hídrica junto à comunidade, oportunidades em que foram debatidas possibilidades que envolvem noções de bioconstrução, autonomia produtiva, consumo consciente da água e os impactos ambientais causados pela poluição do rio e dos lençóis freáticos.

Entre as tecnologias sociais já construídas, a BET ou ecofossa é indicada para o tratamento das águas negras, provenientes da descarga de sanitários convencionais, que não gera nenhum efluente e evita a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático, enquanto o círculo de bananeiras é indicado para tratar as águas usadas da casa (pias, tanques e chuveiros), as chamadas águas cinzas, além de beneficiar a produção de bananas em escala humana. Já os banheiros secos compostáveis dispensam o uso de água para a descarga, apropriado para regiões com problemas de abastecimento como é o caso da ilha.

 

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