Sociedade Semear: trabalhando pelo fortalecimento da cidadania

Sociedade Semear: trabalhando pelo fortalecimento da cidadania


 


Carlos Britto Aragão, 39 anos, é geógrafo por formação, professor universitário e ainda encontra tempo pra dirigir uma das maiores OSCIP`s do Estado de Sergipe – a Sociedade Semear.  Ele e o irmão Cezar Britto tiveram a idéia de formalizar uma instituição que tivesse como objetivo principal trabalhar para o fortalecimento da cidadania. Assim nasceu a Semear.


 


INCLUSÃO SOCIAL – Como você começou a trabalhar com a questão do voluntariado?


 


CARLOS BRITTO – O meu trabalho com o social começou dividindo as preocupações que Cezar Britto tinha com o trabalho de montar uma instituição voltada ao fortalecimento da cidadania. O sonho dele de montar esta instituição passou a ser dividido comigo. Eu o ajudei na formatação da Sociedade Semear. A ação social de Cezar começa com o objetivo de retribuir. Ele e eu fomos alunos de escola pública e tudo o que a gente galgou foi custeado pelos impostos pagos pelo povo. Então estamos retribuindo à sociedade aquilo que ela nos ofereceu.


 


IS – Como é o seu trabalho na Sociedade Semear?


 


CB – Eu praticamente vivo a Sociedade Semear, que preenche meu tempo quase todo. Graças a Deus nós temos um volume de ações muito grande e a gente faz questão de estar envolvido em todas elas.  Hoje eu vivo, profissionalmente falando, em função da Sociedade Semear, pois ela me dá muito mais do que eu dou a ela.


 


IS – Quais os trabalhos desenvolvidos hoje pela Sociedade Semear?


 


CB – A Sociedade Semear hoje tem várias ações. Atualmente tem sido palco de grandes discussões no Estado, principalmente nas áreas cultural, de meio-ambiente e de estudos múltiplos. Dentre as ações nossas, estão o Fórum Sócio-Ambiental, que foi realizado em Lagarto em parceria com Ministério Público e Prefeitura; Semeando Arte, que consiste em mostras de obras de arte em nossa galeria (incluindo visitas monitoradas de jovens de escolas públicas), entre outros. No dia 15 de julho tem o lançamento do Projeto Velho Chico, patrocinado pela Petrobras e Diocese de Própria e a partir deste momento, estaremos com uma ação mais forte também no interior do Estado.


 


IS – As ONG´s trabalham em redes e buscam financiamento com Agências de Cooperação Internacional. Como é sistematizado o trabalho da Semear e como são buscados recursos financeiros?


 


CB – Hoje, temos como financiadoras empresas e instituições brasileiras, como Banco do Brasil, Instituto Telemar, Caixa Econômica, Somese, Energipe e já tivemos também verba do Governo Federal.  Ainda não conseguimos patrocínio de empresas estrangeiras, mas temos isso como meta. O espaço cultural da Semear hoje é patrocinado pela Petrobras. Dentro do Instituto Telemar, estamos trabalhando em redes. O bom das redes e que você começa a criar um relacionamento com parceiros de outras instituições que atuam na mesma área. A Sociedade Semear está integrando a Rede Sergipana de Educação Ambiental, onde já temos uma série de instituições trabalhando. É legal trabalhar em rede, onde você acaba trabalhando em bloco. Também estamos lançando a Rede de Cultura de Sergipe que é uma ação conjunta para o fortalecimento da cultura em Sergipe.


 


IS – Como estão sendo formadas essas redes?


 


CB – A Rede de Cultura de Sergipe foi pensada pela Universidade Federal de Sergipe, Infonet, Sociedade Civil, SESC, Funcaju, Ecos e Semear, sendo que a Semear é que preside. As instituições perceberam que a ação conjunta é mais forte, com maior poder de articulação, por isso têm respaldo na hora de alcançar os objetivos. A mesma coisa acontece com as outras redes, cada um fica responsável por uma ação.


 


IS – Como se forma essa demanda?


 


CB – A idéia surge de uma pessoa, não sabemos precisar quem. Quando o idealizador está desarticulado, ele procura a Semear ou outras pessoas para criar toda a possibilidade de trabalho. Trabalhar sozinho é muito complicado!


 


IS – No governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi regulamentada a legislação das OSCIP´s. Como você analisa esta conjuntura diante da sociedade?


 


CB – A OSCIP permite que os diretores sejam remunerados, ao contrário de uma ONG. Um ponto que pesou muito foi a questão da profissionalização das ONG`s. Nós achamos que as OSCIP`s permitem esta oportunidade, uma vez que permite que o corpo diretor receba dinheiro pelo trabalho executado. Aqui na Semear, por exemplo, temos alguns diretores que são aposentados e por isso podem esperar um pouco, ao passo que outros ainda não são e precisam receber para poder viver. Outra vantagem é referente ao termo de parceria. Os governos podem estar discutindo de forma muito mais ágil a questão da conferência dos recursos públicos na implementação de projetos, é daí que vem a transparência, pois temos que prestar conta deste dinheiro com o Tribunal de Contas da União.  Outra coisa é que as empresas que trabalham com lucro real podem empregar 2% do lucro operacional delas e destinar a OSCIP`s, embora muitas não tenham ciência desta vantagem. Agora também tem algumas desvantagens, como, por exemplo, não podemos ter registro no conselho de assistente social e por isso não temos direito ao desconto dos 20% de INSS patronal.


 


IS – Qual a sua visão sobre o voluntariado?


 


CB – Eu acho que para a instituição ele é muito importante. Mas eu tenho minhas dúvidas quando se exige continuidade do trabalho do voluntário, sobretudo quando este voluntário necessita de estabilidade financeira. É interessante que, por exemplo, trabalhos que exijam continuidade e assiduidade não sejam executados por voluntários.  O que fazer quando um professor voluntário de alguma disciplina ou oficina encontra uma outra atividade remunerada em outro local?  Outra coisa que é preciso tomar cuidado é que existe um termo de voluntariado e é necessário que as instituições tomem a consciência de que este documento serve como ferramenta de segurança para ambas as partes.


 


IS – Que perfil um projeto precisa ter para ser aceito pela Semear?


 


CB – Antes de mais nada, é preciso que a pessoa tenha a noção de que a Semear não patrocina nenhum projeto. Não somos agência financiadora, buscamos parcerias. O indivíduo precisa ter um sonho, que é o projeto bem feito. Estando o projeto bem embasado, esta pessoa deveria passar a se integrar como voluntária aqui para que possamos observar o comportamento e desenvoltura desta no processo de trabalho. Durante esse processo, vamos buscando parcerias para tornar realidade o sonho inicial.


 


Por Carlos Augusto


Da Redação (Aracaju/SE)


 

Publicado em Entrevistas