‘Trabalhar com o social não tem preço’

 ‘Trabalhar com o social não tem preço’

O Paimi (Programa de Assistência Integral à Melhor Idade) foi criada pela Unit como um programa de extensão, além de fornecer ao idoso uma nova perspectiva de vida. Não só ajudando ao idoso, mas também servindo de exemplo aos jovens universitários que utilizam este “laboratório humano” para qualquer projeto de extensão.

Há nove anos ele vem criando novas oportunidades, resgatando credibilidade daqueles que vivem na melhor idade. O projeto é coordenado pela professora Zulnara Mendonça Mota, que recebeu o Inclusão Social de braços abertos para uma entrevista bastante descontraída.

Inclusão Social – Como surgiu a iniciativa do Paimi na Unit?

Zulnara Mendonça Mota – A iniciativa da Paimi na Unit surgiu através do Departamento de Educação. Sentimos a necessidade de realizar um projeto de extensão e dar uma atenção toda especial ao idoso. Daí surgiu a Paimi – Programa de Assistência Integral ao Melhor Idade -, onde trabalhamos com o idoso através de pesquisas com as comunidades das adjacências da Farolândia e Augusto Franco, aonde temos o Campus II.

IS – Quais as atividades aqui trabalhadas com o idoso?

ZM – Nós trabalhamos de segunda a sexta-feira, na sala 6 do Bloco C. Desenvolvemos diversas atividades, totalmente gratuitas para os participantes, fornecendo o material. Quando eles trazem o próprio instrumento de casa aquilo que eles produzem fica com eles depois. O que é produzido por material que a universidade fornece depois é sorteado em nossas festas para os nossos participantes.

IS – Quais são os objetivos da Paimi?

ZM – Propiciar ao idoso uma melhor qualidade de vida, auto-estima, melhoria na saúde, além de conhecimentos que adquiridos por meio de palestras e com temas por eles sugeridos.

IS – Há quanto tempo a Paimi existe?

ZM – Graças a Deus a Paimi ainda existe… Ela existe há nove anos. Para o ano ela completará 10 anos.

IS – Ao longo desses nove anos, quais foram as maiores realizações?

ZM – Uma das maiores realizações foi o grupo de dança – a dança, o carinho expressado e a determinação pelos idosos. As palestras também, muito boas para eles e para nós. Além disso, a integração com outros cursos. Hoje nós temos a oportunidade da integração de cursos – como você, estudante de jornalismo, realizando essa entrevista.

 IS – Há uma boa relação dos alunos da Unit com o Paimi?

ZM – Sim, às vezes nos procuram para fazer os seus trabalhos de monografia e pedem para utilizar esse “laboratório humano”. Idoso é fonte de sabedoria, possui um potencial muito grande de experiência.

IS – Quais são os cursos integrados ao Paimi?

ZM – Nós trabalhamos com vários cursos integrados, entre eles: fisioterapia, odontologia, serviço social, jornalismo, psicologia, direito, turismo e educação física.

IS – Quais são seus projetos para o futuro?

ZM – O nosso projeto é dar continuidade, com cada vez mais ênfase, com brilhantismo, com integração, a esse projeto que é propiciar aos idosos uma melhor qualidade de vida.

IS – Já participou de algum projeto voluntário ou de cunho aa inclusão social?

ZM – De outros projetos já, como o projeto de evangelização das crianças na igreja.

IS – Qual é a sensação de trabalhar com um projeto de cunho social?

ZM – Ele é gratificante, não só para a gente que está fazendo a nossa parte. Recebemos ensinamentos daqueles que são participantes e trabalhar com o social não tem preço. Muitas vezes recebemos um salário muito bom e não nos afinamos com aquilo que fazemos. O social mexe com a gente.

IS – O que você pensa a respeito de pessoas que ainda não se atentam para o social?

ZM – Significa que as pessoas não sabem o que estão perdendo, não sabem as portas e janelas que estão sendo abertas para o saber, para o conhecimento, para o entrosamento, para a amizade; enfim, tudo que é bom: amizade e carinho.

IS – Como você define inclusão social?

ZM – Inclusão social hoje em dia… Graças a Deus temos as ONGs e os projetos de extensão que carregam outras pessoas para que elas se incluam não somente no contexto da sociedade, como nas instituições. É importante que as pessoas abracem, pois é muito gratificante.

IS – Deixe uma mensagem final, por favor.

ZM – Queo agradecer ao Inclusão Social pela oportunidade em divulgar o Paimi, ajudando a tirar o idoso da marginalidade. Algumas vezes eles são taxados como pessoas ociosas e, no entanto, eles têm um potencial muito grande de conhecimento e uma experiência de vida. Aqui se coloca essa experiência em uso.

As integrantes do Paimi, Maria José Meneses Santos (70) e Maria José Rocha (75), também conversaram sobre o projeto, respectivamente.

 Inclusão Social – O que a senhora faz no Paimi?

Maria José Meneses – Aqui eu faço tudo, né? Aqui tem palestra, a gente borda, costura; tem uma série de atividades realizadas.

IS – Como a senhora descobriu o Paimi?

MJM – Descobri através da colega Miralva. Ela já freqüentava o Paimi há muito tempo. Com isso, ela indicou a Paimi e hoje estou aqui.

IS – Você gosta daqui?

MJM – Gosto demais. Aqui eu recuperei a saúde e a vitalidade, em casa eu só vivia doente. Aqui eu tenho a professora (Zulnara) que sempre me dá orientação de saúde. Tenho colegas, tenho uma professora que faz muitas coisas boas pra gente.

IS – O que o Paimi te representa?

MJM – Representa tudo pra mim. A saúde que vivia ruim agora está boa. A professora Zulnara está me curando.

Inclusão Social – O que a senhora faz no Paimi?

Maria José Rocha – Eu bordo, faço sabonete, vendo fogos duas vezes por ano. Gosto daqui e tem 8 anos que estou aqui e para mim é um lazer muito bom. Eu andava muito doente, vim pra cá e melhorei. Gosto daqui, não falto um dia. Tem uma professora muito carinhosa com a gente e dedicada, e tenho minhas colegas que são minhas irmãs.

IS – Como a senhora descobriu o Paimi?

 MJR – Através de uma colega que indicou.

IS – O que o Paimi te representa?

MJR – Tudo.

IS – Espera continuar no Paimi até quando?

MJR – Espero não acabar nunca, até quando Deus quiser.

 

Por Heloisa Rocha
Da Redação (Aracaju/SE)

 

PAIMI
Programa de Assistência Integral à Melhor Idade
Endereço: Av. Murilo Dantas, 300, Campus II – Unit, bloco C, sala 6, bairro Farolândia
Contatos: (79) 3218-2100

Publicado em Entrevistas

Sugestões são sempre bem-vindas. Um abraço!