Wânnya Cipriano: ‘A diferença entre as pessoas está no que cada um tem no coração’

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Estudante Wannynha

Carinhosa, alegre, objetiva e de personalidade forte. Essa é Maria Wânnya Souza Cipriano, uma jovem estudante de 27 anos que nasceu com Síndrome Down e sabe bem aproveitar a vida. Wannynha, como é chamada carinhosamente por familiares e amigos, estuda no 3º ano do Ensino Médio de uma escola particular da cidade de Maceió, em Alagoas, Colégio Cristo Rei.

Mas a jovem não pensa em parar por aí. Quer trabalhar com artes e viajar bastante. Casamento? Ela ainda não pensa nisso. Prefere aproveitar cada dia vivendo uma alegria diferente, superando desafios, vencendo preconceitos, sempre destacando o amor incondicional que sente pela família. Para Wannynha, todos são iguais e filhos de Deus.

Com a família

Com a família

Por Roseane Moura

Portal Inclusão Social – O que você mais gosta de fazer nos momentos de lazer?

Wannynha – Gosto de estudar, brincar, ir ao Shopping, ao cinema, ao parque e de comer comida japonesa. Também gosto muito de internet. Tenho e-mail, Facebook e Twitter.

IS – Qual o seu maior sonho?

Wannynha – É terminar o Colégio [concluir o 3º ano] e participar da festa. Não penso ainda em fazer faculdade, prefiro um curso de artes porque gosto de desenhar e pintar desde criança.

Com amigos

Com os sobrinhos

IS – Você se sente uma mulher normal ou diferente?

Wannynha – As duas coisas, mas não sei bem explicar.

IS – Como é a sua convivência com os colegas na escola?

Wannynha – É legal, mas às vezes eles formam grupinhos de pessoas separados dos outros. Em relação a mim, sou tratada normalmente porque somos todos iguais e filhos de Deus. Eu penso assim: a diferença entre as pessoas está no que cada um tem no coração.

Na escola

Com os colegas de escola

IS – Você tem amigas?

Wannynha – Sim, tenho poucas. Mas gosto muito delas e a gente conversa sobre tudo.

IS – Que lugar você gostaria de conhecer?

Wannynha – Gostaria de visitar a Disney World com a minha mãe ou com meu pai; ou com os dois.

IS – Você já realizou algum tipo de trabalho voluntário?

Wannynha – Sim, na Apala [trata-se da Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas, instituição que atua em Maceió], onde minha mãe é voluntária na parte de decoração quando tem eventos. Eu sempre acompanhava minha mãe, depois comecei a gostar e ajudar nas atividades dos voluntários.

Porta-aliança em casamento

Porta-aliança em casamento

IS – O que você faria se ganhasse na loteria?

Wannynha – Eu doaria tudo para a Apala.

IS – Você observa que as pessoas estão menos preconceituosas em relação à Síndrome de Down?

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Em festa country

Wannynha – Algumas vezes noto olhares diferentes sim. Não gosto de dizer ‘tenho Síndrome de Down’ porque tem gente que não entende e acha que isso é uma doença. Prefiro dizer que sou ‘especial’. Algumas pessoas ainda levam susto quando olham para mim, mas deixo para lá. Mas se falarem ou fizerem algo que me magoar vou ser bem sincera e sentar para conversar. Se mesmo assim a pessoa continuar, aciono a justiça.

IS – Você pensa em casar e ter filhos?

Evento escolar

Em evento escolar

Wannynha – Agora não. Prefiro estudar e curtir a vida. Ainda quero viajar muito.

IS – Ter família é importante? Que mensagem você deixa para seus pais?

Wannynha – Minha família é muito importante para mim. Sem ela eu não consigo viver! Eles sempre me dão muito amor, carinho e atenção. Para meus pais eu diria assim: eu te amo, gosto muito de vocês.

 

Fotos: Arquivo pessoal/Facebook

 

 

 

 

 

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