Movimentos entregam carta a Lula com propostas para solucionar crise econômica

Movimentos entregam carta a Lula com propostas para solucionar crise econômica

 Mais de 50 organizações e movimentos sociais brasileiros entregaram, na quarta-feira, dia 26, uma carta no Palácio do Planalto dirigida ao presidente Lula, em que expressam suas demandas e propostas a respeito da crise econômica mundial, na tentativa de que o governo possa preservar os interesses do povo e não somente os do empresariado.

Na carta, os movimentos elogiam a iniciativa do presidente brasileiro de ouvir o posicionamento das organizações sociais, sindicais, populares, pastorais sobre a atual crise, que, segundo eles, deve aprofundar-se sobre a economia, sobre a sociedade e, em especial, sobre o povo brasileiro. As propostas apresentadas buscam aproveitar a brecha da crise para implementar mudanças na política macroeconômica qualificadas pelos movimentos como neoliberal.

Com isso, as demandas dos movimentos se inserem no desejo de construir um novo modelo de desenvolvimento nacional, com distribuição de renda, geração de empregos e fortalecimento do mercado interno: "Nossa preocupação fundamental é aproveitar para que nessa mudança se logrem medidas concretas que visem melhorar as condições de vida de nosso povo, garantindo os direitos à educação pública, gratuita, democrática e de qualidade em todos níveis, à moradia digna, ao acesso à cultura e às reformas urbana e agrária".

O documento entregue a Lula conta com 20 propostas de articulações internacionais e de políticas internas. Um delas é o fortalecimento da estratégia de integração regional por meio de mecanismos como o Mercosul, a Unasul e a Alba. Expressaram total apoio em relação a medidas como a substituição do dólar nas transações comerciais com moedas locais, como ocorre atualmente entre Brasil e Argentina, sugerindo que essa mesma medida seja adotada pelos países latino-americanos.

"Defendemos a consolidação o mais rápido possível do Banco do Sul, como um agente que promova o desenvolvimento regional e que auxilie o crescimento do mercado interno entre os paises da América Latina e como um mecanismo de controle de nossas reservas, para impedir a especulação dos bancos, do  FMI, e dos interesses do capital dos Estados Unidos", acrescentam.

Para os movimentos, os países centrais e os organismos dirigidos por eles (OMC, Banco Mundial e FMI) são os responsáveis pela atual crise econômica e financeira. Por isso, postulam uma nova ordem internacional baseada na soberania dos povos e nações, a redução e o controle das taxas de juros e um rigoroso controle da movimentação do capital financeiro especulativo.

A retirada das forças estrangeiras do Haiti está entre os pedidos dos movimentos sociais ao presidente: "Nenhum país da América Latina deve ter bases e presença militar estrangeira. Propomos, em seu lugar, a constituição de um fundo internacional solidário para reconstrução econômica e social daquele país". Além disso, repudiaram a reativação da Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos em águas da América Latina.

Sobre os recursos naturais, pedem o cancelamento do novo leilão do petróleo, marcado para o dia 18 de dezembro. Ressaltam que as riquezas naturais devem ser utilizadas em benefício do povo, com a criação de fundos solidários para investir em problemas como desemprego, falta de moradia e educação. 

A carta também destaca a questão da política de manutenção do superávit primário, que, de acordo com os movimentos, é uma velha e desgastada orientação do FMI. "Devemos usar os recursos do superávit primário para fazer volumosos investimentos governamentais, na construção de transporte publico e de moradias populares para a baixa renda, dando assim uma grande valorização à reforma urbana e agrária,  incentivando a produção de alimentos pela agricultura familiar e camponesa".

Solicitam também a realização de uma auditoria integral da dívida pública "para lançar as bases técnicas e jurídicas para a renegociação soberana do seu montante e do seu pagamento, considerando as dívidas histórica, social e ambiental das quais o povo trabalhador é credor". Por fim, eles se posicionam contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais. "Esperamos que o governo ajude a desencadear um amplo processo de debate na sociedade, em todos os segmentos sociais, para que o povo brasileiro perceba a gravidade da crise, se mobilize e lute por mudanças", finalizam. 
 
                                                                                                                         Fonte: Adital

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